Ferramentas generativas ganham espaço em tarefas operacionais, mas barreiras em infraestrutura de dados e governança impedem ganhos reais no balanço das empresas.
A presença da inteligência artificial já faz parte da rotina de trabalho em corporações brasileiras, mas a tecnologia ainda gera pouco impacto financeiro e baixa redução de custos no balanço dos negócios. A conclusão é da 3ª edição do estudo Panorama Mindset Digital, realizado pelo Brivia_Group em parceria com o Instituto Caldeira e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que ouviu 350 empresas de 15 segmentos. Embora assistentes virtuais e ferramentas generativas sejam usados para tarefas diárias, a falta de integração em bases de dados e a ausência de estratégias na alta gestão mantêm os ganhos restritos ao nível operacional.
⚡ O QUE VOCÊ PRECISA SABER
- Levantamento Panorama Mindset Digital avaliou 350 empresas e revelou que a dimensão de gestão eficiente registra apenas 56 pontos.
- Setor farmacêutico lidera o índice nacional com 83 pontos, enquanto agronegócio (64) e saúde (54) ocupam as últimas posições.
- Apenas liberar licenças de software não gera produtividade sem capacitação estruturada e contextualização com as metas do negócio.
- O ganho real no balanço depende de migrar tarefas operacionais simples para automações de precificação, logística e retenção de clientes.
Por que o impacto financeiro da IA ainda é limitado?
O impacto financeiro da inteligência artificial permanece baixo porque a maioria das companhias restringe o uso a atividades de apoio, sem conectar as ferramentas aos indicadores diretos de receita e despesa. Na prática, a tecnologia tem sido aplicada em demandas pontuais, como redigir rascunhos, resumir reuniões e organizar anotações.
Essa aplicação superficial decorre de uma contradição estrutural observada no ambiente corporativo brasileiro. O mercado demonstra capacidade para estabelecer propósitos de marca e ambientes colaborativos, mas ainda enfrenta gargalos na infraestrutura técnica e na unificação de registros internos.
Sem a centralização do conhecimento e sem o envolvimento da diretoria executiva, os algoritmos não alcançam as decisões que movem a rentabilidade. No índice geral de maturidade digital avaliado pelo levantamento (Digital Maturity Score), o Brasil obteve 72 pontos em uma escala de zero a 100, nível que reflete a superação da resistência à digitalização, mas que ainda opera sob forte dependência de processos manuais.
Disparidades na maturidade digital entre setores
O ranking setorial da pesquisa identificou diferenças expressivas no aproveitamento tecnológico conforme as exigências regulatórias e operacionais de cada segmento da economia:
- Farmacêutica (83 pontos): Lidera o ranking nacional impulsionada por normas de governança rigorosas e processos digitais integrados de ponta a ponta.
- Transporte e Logística (79 pontos): Ocupa a segunda posição com automação prática voltada à roteirização e controle de custos de deslocamento.
- Energia (77 pontos): Completa o grupo dos três primeiros colocados no ranking.
- Agronegócio (64 pontos): Apresenta grande discrepância interna ao utilizar máquinas autônomas e drones no campo, mas manter processos administrativos e dados de clientes pouco integrados.
- Saúde (54 pontos): Ocupa a última posição na avaliação, apresentando sistemas de atendimento desconectados, apesar de dispor de equipamentos de diagnóstico avançados.
Da experimentação isolada aos agentes estruturados
A evolução no uso da tecnologia corporativa depende de avançar por diferentes estágios práticos de adoção. O primeiro estágio envolve o contato inicial com ferramentas generativas de texto e pesquisa. No nível intermediário, as equipes configuram assistentes voltados a rotinas pré-definidas. No patamar mais maduro, as organizações passam a estruturar agentes autônomos capazes de operar fluxos de trabalho completos.
Disponibilizar licenças de software para as equipes sem orientação direta não assegura elevação de desempenho. Os profissionais necessitam de capacitação direcionada para formular solicitações com contexto adequado, avaliar com critério as respostas geradas e identificar pontos específicos de ganho nos procedimentos da empresa.
Quatro prioridades para transformar tecnologia em rentabilidade
Para que os investimentos digitais se traduzam em margem operacional e eficiência, quatro direcionamentos práticos são necessários:
- Centralização de bases de dados: Eliminar repositórios isolados para viabilizar repositórios únicos que alimentem sistemas de automação com precisão.
- Cultura de testes controlados: Descentralizar a tomada de decisões cotidianas e permitir experimentos rápidos com novos fluxos de trabalho.
- Captação de dados próprios: Estruturar canais diretos de relacionamento para conhecer o histórico de clientes e diminuir gastos com intermediários.
- Alinhamento com a diretoria executiva: Direcionar a inteligência artificial para sistemas preditivos e prescritivos de precificação, logística e retenção de clientes.
Perguntas Frequentes
Por que a inteligência artificial ainda não gera lucro expressivo nas empresas?
O impacto direto no lucro é baixo porque a tecnologia tem sido limitada a tarefas rotineiras e isoladas, sem conexão com sistemas de precificação, logística ou redução de despesas estruturais.
Liberar o acesso a ferramentas generativas aumenta a produtividade da equipe?
O simples fornecimento de acessos não assegura produtividade, pois os colaboradores tendem a utilizar recursos elementares se não receberem treinamento focado nos processos específicos do setor em que atuam.
Quais setores empresariais lideram a maturidade digital no Brasil?
Os segmentos farmacêutico (83 pontos), de transporte e logística (79 pontos) e de energia (77 pontos) lideram o índice, destacando-se a governança e os processos integrados na indústria farmacêutica e a automação logística.
Como as empresas podem evoluir o uso básico da inteligência artificial?
A evolução ocorre ao integrar dados internos em repositórios unificados e migrar de assistentes de texto individuais para fluxos estruturados com agentes voltados a metas financeiras.
Próximos passos para a integração de tecnologia
A obtenção de retorno sobre tecnologia exige que as lideranças empresariais alinhem as ferramentas digitais aos gargalos operacionais específicos de cada negócio, priorizando a organização dos dados internos antes de expandir novos contratos de software.




