Rede de sites fabricados em série concentrou ataques em Flávio Bolsonaro; a mesma empresa responsável pelos pagamentos já veiculou campanhas para o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
Uma operação coordenada envolvendo dezenas de sites e páginas impulsionadas destinou até R$ 2 milhões para atacar o senador Flávio Bolsonaro (PL). A pagadora declarada de grande parte dos anúncios é a Corporativo Lam, LLC, uma empresa registrada em Delaware, nos Estados Unidos, que anteriormente promoveu campanhas oficiais para o governo de Nicolás Maduro.
- Mais de 600 anúncios miraram diretamente Flávio Bolsonaro.
- A operação custou entre R$ 1,1 milhão e R$ 2 milhões na plataforma Meta.
- O PT usou os dados para denunciar “interferência estrangeira” ao STF, destacando 138 anúncios contra Lula.
- O verdadeiro mandante e a origem do financiamento no Brasil permanecem desconhecidos.
Estrutura da operação digital
A rede identificada reuniu 76 páginas no Facebook e 40 endereços com aparência de portais brasileiros de notícias. Desse total, 37 domínios foram registrados no dia 6 de setembro, em uma janela de apenas 50 minutos.
Os sites compartilham a mesma estrutura de navegação e o mesmo token de verificação do Google, embora exibam nomes, marcas e cidades diferentes. Até o fim de setembro, esses portais haviam publicado cerca de 130 mil artigos, frequentemente reescritos de forma automática e replicando as mesmas pautas.
Os anúncios, que começaram em julho, favoreciam inicialmente Renan Santos (Missão) e focavam os ataques no senador. A partir de setembro, a estratégia passou a impulsionar Augusto Cury (Avante), mantendo Flávio Bolsonaro como alvo principal, inclusive reimpulsionando vídeos produzidos pela coligação Lula-Alckmin.
Como o caso foi parar no STF?
O Partido dos Trabalhadores (PT) levou a operação ao gabinete do ministro Flávio Dino, no Supremo Tribunal Federal (STF). A sigla apontou o caso como uma possível “interferência estrangeira” no processo eleitoral brasileiro.
Na petição, o partido destacou que a operação havia gerado 138 anúncios negativos contra Lula, solicitando que a Meta preservasse as peças e identificasse os pagadores. No entanto, o levantamento original indicou que Flávio Bolsonaro era o alvo principal, sendo atacado em mais de 600 peças publicitárias.
Quem está por trás da Corporativo Lam?
A Corporativo Lam é uma empresa registrada no estado de Delaware, conhecido por permitir o anonimato de seus proprietários. Embora conste como pagadora de 710 dos 1.006 anúncios analisados, o cadastro público não revela quem a controla ou quem encomendou as campanhas no Brasil.
A Corporativo Lam tem ligação com Nicolás Maduro?
Sim. O histórico da empresa revela que ela pagou por 37 anúncios entre abril e maio, incluindo campanhas de órgãos oficiais do governo de Nicolás Maduro na Venezuela.
O governo venezuelano está financiando os ataques no Brasil?
Não há comprovação. Embora a empresa tenha atuado na Venezuela, o uso de uma firma estrangeira não demonstra por si só de onde saiu o dinheiro ou quem é o mandante da campanha eleitoral no Brasil.
Quanto foi gasto nos anúncios contra Flávio Bolsonaro?
Nas faixas informadas pela Meta, o investimento nos 1.428 anúncios da rede ficou entre US$ 210 mil e US$ 385 mil, o equivalente a R$ 1,1 milhão e R$ 2 milhões. Gastos com o Google não foram contabilizados.
Próximos passos da investigação
Para identificar os verdadeiros mandantes da operação e a origem dos recursos, a Justiça Eleitoral pode requisitar informações detalhadas às plataformas digitais. Dados dos administradores das páginas, registros de pagamentos e contas vinculadas serão cruciais para desvendar quem encomendou a rede de ataques durante as eleições.




