Uma operação clandestina originada na Rússia utilizou inteligência artificial e um centro de estudos fictício para disseminar conteúdos favoráveis a Luiz Inácio Lula da Silva e tentar influenciar o debate político no Brasil.
A OpenAI suspendeu uma rede de contas operadas a partir da Rússia que utilizava o ChatGPT para coordenar campanhas encobertas de influência política na América Latina. Sob a fachada do centro de estudos Social Research Center, a operação produziu artigos que enalteciam a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que mapeava riscos fiscais do governo petista, dependência eleitoral de programas sociais e desconfiança dos mercados financeiros.
- A operação russa utilizava a fachada do Social Research Center para publicar artigos favoráveis a Lula.
- Os textos produzidos exploravam a dependência de programas sociais para apoio eleitoral.
- A rede ofereceu pagamentos de US$ 1 mil por mês para recrutar profissionais de imprensa no território brasileiro.
- A OpenAI bloqueou todas as contas associadas à rede russa após identificar o uso de VPNs e identidades falsas.
Como a rede russa explorou a imagem de Lula
A estrutura russa administrava uma identidade fictícia chamada “Mia Clark” para coordenar a produção de conteúdos políticos direcionados à América Latina. No Brasil, o centro de fachada publicou a análise “Entre el Arreglo y la Reconstrucción”, na qual contrapôs a gestão de Jair Bolsonaro à de Luiz Inácio Lula da Silva. O texto associava a administração anterior a desgastes institucionais e conferia a Lula o mérito de restaurar a credibilidade e a posição moral do país no exterior.
Em outros materiais, a operação russa detalhou vulnerabilidades estratégicas da gestão petista. No estudo “Lula, Markets, and the Indian Factor in Brazil’s Economic Strategy – 2026”, o grupo associou os programas sociais do governo à busca direta por sustentação eleitoral. O documento também destacou a desconfiança dos mercados, alertou para riscos fiscais e recomendou a aproximação com os BRICS como proteção contra choques econômicos.
Tentativa de recrutamento e inserção na mídia brasileira
Para fazer circular suas análises sem despertar suspeitas, a organização russa contratava pesquisadores locais que desconheciam a origem do financiamento. No Brasil, o Social Research Center abriu processos de seleção oferecendo remuneração de US$ 1 mil por mês em regime de tempo parcial para profissionais de relações com a imprensa.
O objetivo da contratação era adaptar os relatórios do centro de fachada à rotina dos veículos de comunicação brasileiros e garantir publicações regulares. Além de contratar intermediários, os operadores russos utilizavam o ChatGPT para redigir relatórios internos de desempenho, estruturar campanhas e planejar mensagens direcionadas a públicos específicos.
Qual era o objetivo da operação russa na América Latina?
A operação russa buscava interferir nas dinâmicas políticas regionais e enfraquecer o apoio diplomático à Ucrânia por meio de identidades fictícias e desinformação. O grupo fabricou documentos falsificados, produziu conteúdos para simular vazamentos de áudio e executou campanhas paralelas de desgaste contra lideranças de países vizinhos, incluindo ações contra o presidente argentino Javier Milei e manobras na Bolívia.
No caso brasileiro, a rede também tentou se apropriar de fatos reais para inflar seus próprios relatórios. Os operadores afirmaram ter provocado a cobertura jornalística sobre a captura de um combatente brasileiro na Ucrânia, embora o caso tenha sido divulgado de forma autônoma pela imprensa nacional. O grupo ainda alegou em relatórios internos ter criado uma história falsa de que uma influenciadora brasileira teria sido vítima de tráfico humano para a Ucrânia e assassinada em Kiev para alimentar narrativas antiucranianas.
O que era o Social Research Center?
Era uma organização de fachada criada por operadores russos que se apresentava publicamente como uma plataforma de pesquisa focada em relações entre Índia e América Latina. A entidade contratava pesquisadores desavisados para produzir artigos e análises políticas com aparência legítima.
Quais temas sobre o governo Lula foram abordados pela rede?
Os textos da operação russa destacavam a recuperação diplomática do Brasil sob Lula, mas também exploravam riscos fiscais, desconfiança de investidores do mercado e a relação entre programas sociais e suporte eleitoral.
Quais medidas a OpenAI tomou contra a operação?
A OpenAI baniu todas as contas de ChatGPT utilizadas pela rede russa para contornar restrições regionais e compartilhou os dados técnicos apurados com autoridades competentes.
Medidas de proteção contra interferências digitais
O desmantelamento de operações de fachada apoiadas por ferramentas de inteligência artificial reforça a necessidade de auditoria rigorosa em centros de estudos, contratações remotas e publicações internacionais. Veículos de comunicação e entidades corporativas devem verificar a governança real de fontes acadêmicas e consultorias independentes para evitar a propagação involuntária de conteúdos concebidos para manipulação geopolítica.




