A volatilidade macroeconômica machuca as empresas

A alta volatilidade da taxa Selic, com oscilações significativas nos últimos dez anos, é um indicador de instabilidade no Brasil em comparação com outros países como México, Colômbia e Chile. A política monetária brasileira apresenta frequentes mudanças entre expansão e contração, impulsionadas pela natureza procíclica do regime fiscal brasileiro, que depende fortemente de variáveis sensibles ao PIB, o que exige maior ativismo da política monetária para suavizar o ciclo econômico. O alto risco fiscal impôs a necessidade de juros mais elevados para conter a inflação, resultando em uma mediana de juros básica significativamente maior no Brasil (10,5%) em comparação aos demais países. A volatilidade dos juros afeta o setor produtivo, além de gerar incerteza na economia e amplificar ciclos econômicos devido à necessidade de ajuste gradual da taxa de juros. Mudanças abruptas ou excessivo ativismo tendem a aumentar os ciclos econômicos, enquanto a suavização do ciclo dos juros aumenta a previsibilidade para empresas e permite melhor planejamento de investimentos. O crédito corporativo também é afetado por condições monetárias instáveis, e o elevado endividamento das empresas contribui para o aumento da inadimplência em um contexto de reversão rápida da política monetária após a pandemia.

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