A Selic Caiu, Mas Alguém Avisou o Crédito?
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Desconhecido - 23 Mar, 2026
O Selic caiu 0,25 ponto percentual na quarta-feira (18 de março), para 14,75% ao ano, o primeiro corte em quase 24 meses, com o mercado esperando mais, mas o Copom condicionou os próximos passos ao cenário externo. O Federal Reserve manteve os juros americanos na faixa de 3,50% a 3,75% e revisou a inflação projetada de 2,4% para 2,7%, pressionando petróleo e combustíveis. A guerra no Oriente Médio e a alta dos preços da energia impactam o cenário econômico global, com a mensagem direta para empreendedores no Brasil: o alívio, se vier, será lento. O custo do crédito no Brasil é uma construção em camadas, com taxa média no crédito livre chegando a 47,8% ao ano e um juro de mais de 700 dias para recuperar garantias, o que causa um crédito caro, seletivo e hostil para quem precisa transformar capital em produção. O problema vai além da Selic, com bancos preferindo emprestar ao governo, comprando títulos públicos com baixo risco, enquanto as pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades de conseguir taxas minimamente aceitáveis. A falta de imóveis, recebíveis, aplicações ou equipamentos como colateral leva a linhas de crédito mais caras, com juros que superam 400% ao ano, impactando o planejamento estratégico das empresas que estão se esforçando para pagar suas dívidas. A maioria dos empresários não consegue gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas, e empresas como Grupo Pão de Açúcar e Raízen já passaram por recuperação extrajudicial. Os números confirmam a dificuldade para as empresas, com estudos mostrando que quase uma em cada quatro já não consegue gerar caixa suficiente para pagar apenas os juros de suas dívidas, sendo que empresas com dívida equivalente a três vezes sua geração de caixa anual gastam 50% do que geram apenas para arcar com juros. A origem do problema não é nova e se agrava com o aumento da Selic em 13% nos últimos quatro anos. As empresas estão enfrentando uma crise de dívidas, com recorrência de pedidos de recuperação judicial e a necessidade de buscar alternativas ao crédito bancário tradicional para conseguir condições mais flexíveis. Saiba mais