A sobretaxa entrou em vigor após o Brasil atingir o limite anual de envios. Setor aponta meses de “sufoco” e critica o governo Lula por negar divisão estratégica das cotas.
A carne bovina brasileira passou a pagar uma tarifa total de 67% para entrar no mercado chinês a partir do dia 1º de outubro de 2026. A mudança drástica ocorreu porque o Brasil esgotou a cota anual de 1,106 milhão de toneladas prevista para o ano. Como consequência, a tarifa regular de 12% recebeu o acréscimo de uma pesada sobretaxa de 55%.
- Governo Lula recusou proposta do setor para dividir cotas em 2026, agravando a crise.
- Exportações para a China despencaram 93,2% em setembro.
- Margem de lucro e fluxo de caixa dos frigoríficos estão espremidos.
- Setor prevê esgotamento da cota de 2027 já em março ou abril.
Ação do governo intensificou a crise no setor
A crise gerada pela nova tarifa foi agravada por decisões recentes do governo Lula. Para evitar que a cota anual acabasse rapidamente, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) tentou viabilizar uma proposta para dividir o volume de 2026 entre os frigoríficos. No entanto, o governo decidiu não fazer a divisão, o que estimulou uma corrida desordenada e o esgotamento precoce do limite.
O anúncio da cota de 2026 foi feito de forma tardia (final de 2025), o que deixou pouquíssimo tempo para que pecuaristas e indústrias pudessem se organizar. A ineficiência no planejamento governamental e a ausência de uma estratégia de transição cobraram um preço alto das empresas brasileiras, especialmente em um cenário onde novas plantas frigoríficas continuam sendo habilitadas pelo Ministério da Agricultura para disputar o mesmo teto de envios.
Prejuízos se acumulam nos frigoríficos
Com as vendas paralisadas e a tarifa de 67% inviabilizando novos envios lucrativos, os frigoríficos brasileiros enfrentam o que a Abiec classificou como “meses duríssimos”. A queda brutal nas negociações prejudica diretamente o fluxo de caixa das empresas, que dependem dos pagamentos antecipados dos chineses para arcar com as despesas cotidianas. Em setembro, os embarques para a China recuaram espantosos 93,2%.
O que espera a carne brasileira em 2027?
Para o próximo ano, a cota subirá de forma tímida para 1,128 milhão de toneladas. O grande temor do setor produtivo é que, sem uma mudança na postura do governo para dividir e organizar os envios, o limite seja estourado de forma ainda mais rápida.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, alertou que a cota pode acabar logo em março ou abril. Essa possibilidade deixaria o setor em sufoco por mais da metade do ano. Diante da ameaça, muitas empresas já planejam antecipar abates e iniciar viagens marítimas em novembro de 2026, tentando garantir que a carga chegue à Ásia logo nos primeiros dias de 2027.
Por que a tarifa da carne na China subiu para 67%?
A tarifa aumentou porque o Brasil ultrapassou a cota anual de exportação isenta (1,106 milhão de toneladas). Atingido o teto, a China ativou uma sobretaxa de 55%, que se soma aos 12% cobrados regularmente.
O preço da carne vai cair no Brasil?
Não há expectativa de queda significativa para o consumidor. A escassez de animais prontos para o abate e o alto preço da reposição (bezerros) mantêm os preços firmes no mercado interno.
Como a falta de planejamento afetou o setor?
O governo Lula não atendeu aos pedidos da indústria para dividir o volume da cota entre os frigoríficos e demorou a divulgar os limites. Isso gerou uma disputa desorganizada que esgotou a margem de envio e apertou o caixa das empresas.
Em busca de novos mercados
Com o travamento imposto pelas taxas, o Brasil tem precisado realocar sua carne. Pressionadas, as empresas voltaram seus esforços para ampliar as remessas aos Estados Unidos, Chile, Indonésia e Rússia, buscando evitar a estagnação das vendas enquanto o mercado chinês segue inacessível de forma competitiva.




