Carga tributária recorde: brasileiro trabalha 150 dias por ano apenas para pagar impostos
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EmPoucosMinutos - 01 Jun, 2026
O brasileiro trabalhou 150 dias em 2026 apenas para pagar impostos federais, estaduais e municipais. De acordo com o levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o período compreendido entre 1º de janeiro e 30 de maio foi inteiramente dedicado a quitar as obrigações fiscais.
Este número representa o dobro do registrado em 1986. Naquela época, o contribuinte precisava trabalhar 82 dias para pagar os impostos sobre renda, consumo e patrimônio. Atualmente, a carga tributária consome cerca de 41,10% do rendimento bruto do trabalhador brasileiro.
Consumo lidera a carga tributária
A maior fatia dos tributos pagos recai sobre o consumo de produtos e serviços. Esse segmento abocanha 22,88% dos ganhos das famílias. Em seguida aparece o imposto sobre a renda, responsável por 15,16%, e a tributação sobre a propriedade e patrimônio, com 3,06%.
Até o final de maio, o painel do Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) acumulava R$ 1,69 trilhão arrecadados. Se esse valor estivesse em uma poupança comum, renderia quase R$ 328 milhões por semana em juros.
Peso maior na classe média
A pesquisa do IBPT revela uma distorção na cobrança dos impostos. A classe média, que recebe entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais, é a faixa salarial mais impactada. Quem está nesse grupo precisa trabalhar até o dia 6 de junho para saldar suas contas com o Fisco.
Já os trabalhadores com renda de até R$ 3 mil destinam 23,4% do seu salário diretamente para tributos, o que mostra como o sistema tributário nacional penaliza proporcionalmente as faixas de menor poder aquisitivo.
O que puxou a alta dos tributos
O aumento da tributação nos últimos meses é puxado pelo aumento de alíquotas do ICMS em diversos estados. O Maranhão subiu sua taxa geral de 22% para 23%, o Rio Grande do Norte foi a 20% e o Piauí passou para 22,5%.
Outro fator importante foi a elevação do imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares e as novas regras do ICMS sobre importações em dez estados. Mudanças na Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) para fintechs e o aumento da taxa sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) também impulsionaram os números da arrecadação.